Mercado Hype

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31.8.01

Fumando um charuto... fico procurando palavras para escrever. Deu um blank no meu cérebro vazio. Preciso de alguma coisa para catalisar o raciocínio. Café e nicotina trazem um anti efeito. Preciso beber algo mais encorpado. Latas de cervejas estão empilhadas. Tão vazias como a minha mente...
Procuro a exaltação. Um pouco de angústia para transformar em arte. Este é o princípio da psicanálise. Transformar o podre em algo produtivo. Penso... penso... nada acontece.
Entro em alguna blogs. Como tem gente criativa.. e prolixa. E eu não consigo compartilhar algumas linhas com meus 53.267 leitores..hehehhehe.

NEM 8 NEM 80: FIQUEMOS NO 69 OU NO 24

Os romanos diziam que "A virtude é o meio termo" (Virtus in medio est). Mas eles também tinham outro termo pra qualificar o meio: "mediocritas", a mediocridade. E como a mediocridade é o que predomina, acaba virando monotonia. Por isso prefiro parafrasear o provérbio latino e digo que "Na virtude está o tédio" Glauco Mattoso

Abismar-se: Lufada de aniquilamento que atinge o sujeito apaixonado por desespero ou por excesso de satisfação (Roland Barthes- Fragmentos de um Discurso Amoroso)

30.8.01

Kurt Vonnegut

Por falar em Fernandes.... Manoel Fernandes toma café todos os dias no Mercado Hype

Tivemos uma troca de palavras
Mesquinhas
Agora eu estou com as deles
E ele está com as minhas
(Millôr Fernandes)

Relendo "O Mundo Louco", de Kurt Vonnegut Jr... na crônica EPICAC... achei legal essa passagem sobre . EPICAC, o super computador, estava apaixonado por Pat... e ao perceber a impotência por não ser correspondido ... teve um raciocínio humano e optou pelo suicídio:

- Não quero ser uma máquina e não quero pensar a respeito de guerra - escrevera EPICAC depois que Pat e eu saíramos alegremente na véspera. - Quero ser feito de protoplasma e durar para sempre, para que Pat me ame. Mas o destino me fez uma máquina. É o único problema que não posso resolver. É o único problema que quero resolver. Não posso continuar assim. - Senti um nó na garganta. - Boa sorte, meu amigo. Cuide bem da Pat. Por meio de um curto- circuito, vou sair da vida de vocês para sempre. No resto desta fita você encontrará um modesto presente de casamento do seu amigo EPICAC.

Sem prestar atenção ao que ocorria em torno de mim, peguei os metros embaraçados de fita de papel, enrolei- os nos meus braços e pescoço e fui para casa. O Dr. von Kleigstadt gritou que eu estava despedido por ter deixado EPICAC ligado a noite toda. Não lhe dei atenção, emocionado demais que estava para conversa fiada.

Eu amei e venci - EPICAC amou e perdeu, mas não me tinha rancor. Sempre me lembrarei dele como um cavalheiro imbuido de espírito esportivo. Antes de deixar este vale de lágrimas, fez o que pôde para tornar feliz o nosso casamento. EPICAC me deu poemas de aniversário para Pat - o suficiente para durar 500 anos.

De mortuis nil nisi bonum - Dos mortos só se deve falar bem.

29.8.01

Estraviz diz: ei ! eu também frequento o mercado !! hehe !

Todos los hombres son dioses para su perro. Por eso hay tanta gente que ama más a los perros que a los hombres. (Aldous Huxley, 1894 - 1963)

Paulo Bicarato faz suas comprinhas diárias no Mercado Hype

Subversivo
é papo de aranha...
a teia
tem fluido virtual...
sussurro de computador
Palavras estranhas,
nas entranhas cancerosas
da nossa humanidade.
Grito para além do fim do mundo,
para quem não quer ouvir.
para quem pisa nas areias do nosso destino.
fim dos tempos...
Morreremos todos.
Destruídos,
recriaremos a vida

Gracias Zel y Lia Caldas por los links... elas também frequentam o Mercado Hype

28.8.01

Hernani Dimantas frequenta o Mercado Hype

Atendendo a pedidos: encontrei o Gentileza no Alfarrábio. Copyleft também é cultura... hahahaha

eu ontem tive a impressão
por Paulo Leminski

eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

Obrigado pela reconstrução do logo... Ficou duca!

27.8.01

De volta ao começo... por Gato Bandini
A cerveja acabou. Uma boa desculpa para atacar aquele velho Jack Daniel´s escondido na cristaleira. Pego a garrafa, já pela metade. Levo para o lado do computador.
O descanso de tela está burbulhando na minha frente. Um toque no mouse... tudo volta ao normal. Estou pronto para navegar. Através da urdidura digital. Um emaranhado de links que me aproximam do desconhecido.
Hoje não tenho um plano traçado. Vou passear. Apenas viajar pela paisagem cibernética. Um lapso de paixão desenfreada. Um pouco de desamor próprio a ser atirado ao lixo. Assim será o futuro? Um mundo perdido na bitola de uma telinha? As nossas vontades sob a mira de um teclado?
Bandini não nasceu para isso. Quero a liberdade. Perpetuar a jornada às estrelas. Trocar mensagens telepáticas com o Dr. Spock. Voar na velocidade da luz... Gato Bandini tem sete vidas. Uma para cada desilusão vivida.
Tudo bem... o whiskey vai acabar... e vou voltar para o mesmo lugar onde tudo começou.

Por que comecei falando do John Fante?... Ele é meu escritor favorito. Ele passou sua vida em Boulder, CO (aliás da mesma cidade do meu outro escritor favorito: Christopher Locke)... Gosto dessas coincidências. Quando o universo conspira a nosso favor.

Este é um prólogo, uma aproximação da idéia que havia construído faz algum tempo. Meu alter ego. Vítima da reconquista de um discurso abrangente. Criei Gato Bandini. Bandini em homenagem ao Fante... e Gato para expressar o meu conflito argentino. Uma homenagem ao castellano, a Piazola, Amelita Baltar, Jorge Luis Borges, Ernesto Sábato, Suzana Rinaldi, Maradona...

Vamos à estória.... Vida Dupla, por Gato Bandini

Que inferno vivemos!! Manhã de sol intenso por trás das nuvens volumosas de fumaça. Poluição atingindo meus olhos cansados. Bebi a noite toda. Estava deprimido pelas destemperanças deste mundo virtual.

Passei a noite rodando pela Internet. Odeio chats. Não servem para nada. Apenas para uma masturbação mental mal gozada. Vale o passeio. Surfar por páginas de conhecimento antes inalcançavel. A cada cerveja mudava o meu rumo. Andei pelo Oriente e pelo Ocidente. Pude ver a Mesquita Azul tilintando na minha telinha. E sem querer entrei no www.whitehouse.com, e ao invés de ver a cara do Bush, acessei um site prá lá de pornográfico. Este é o sonho americano. O país governado por putas seria algo bem mais lógico.

Mas não estava interessado em procurar a verdadeira Casa Branca. Queria dar uma volta ao mundo em 800 clicks. Não precisaria gastar com passagens, hotéis e comida. Aliás, as cervejas geladas foram a minha única despesa. Nem precisei de patrocínio para implementar minha jornada aventureira. Bebi mais.. fumei as mazelas da vida. E cheguei em terras virgens. Será que poderemos invadir a lua digital. Levar as nossas bandeiras.jpg para o centro das crateras. Estou no mundo da lua.

Acordei de vez!! A luz incomoda pela manhã. Quem não tem colírio usa óculos escuros. Apertei o passo. Estava atrasado para o trabalho. Tinha que correr para chegar. O metro não espera o retardatário, nem tampouco, o patrão gosta de encorajar internautas perdidos na noite.

Banho tomado. Cara nova por trás das lentes escuras. Bom dia meus amigos, bom dia meus inimigos. Eu chego lá. Vou rodar a baiana, mas vou encontrar uma saída digna para esta situação.

O dia continua. Atendo aos telefones. Sou da turma do Telemarketing. Ligo para um monte de pessoas para saber se querem comprar um belo jazigo no cemitério da esquina, ou para pedir uma doação para a fundação do bem estar do chefe, ou ainda, para tentar vender assinaturas de jornais e revistas. Invado as casas das pessoas com minhas palavras cínicas. Muitos me detestam... mas ninguém me odeia tanto com eu mesmo. Eu sou Gato Bandini. Nasci para ser um escritor.

Continuo com o ouvido e a boca no telefone. Mas minha cabeça viaja pelos lugares que estive pela noite. E não vejo a hora de poder entrar numa nova viagem.

Final de expediente. Corro para o metrô. Back Home. Ligo meus sensores. Computador alerta. Cerveja na geladeira. Todos a postos. Minha viagem vai recomeçar.

"The Edge... There is no honest way to explain it because the only people who really know where it is are the ones who have gone over. The others --- the living --- are those who pushed their control as far as they felt they could handle it, and then pulled back, or slowed down, or did whatever they had to when it came time to choose between Now and Later.

But the edge is still Out there. Or maybe it's In. The association of motorcyles with LSD is no accident of publicity. They are both a means to an end, to the place of definitions." --- Hunter S. Thompson '65

Pergunte ao Pó 2 - Escrevi esse comentário para a Evelyn sobre o livro... um presente que significa muito de mim...

Esta é uma estória que eu li e reli. Arturo Bandini procura amar e ser amado. É incompreendido e, assim, repudia a aproximação das pessoas. As vezes, sinto- me um pouco Bandini, Na verdade, todos assim somos. Afastamos as pessoas, mas guardamos fantasmas nas gavetas atravancadas com os entulhos da vida. É mais fácil fugir; Leia o livro e procure nas areias do deserto, ou nas colinas de Bunker Hill, um lapso de otimismo, de compaixão ou de amor...

A New War
Charles Bukowski (1920-1994)

e pensar que, depois que eu me for,
haverá mais dias para os outros, outros dias,
outras noites.

cães andando, árvores balançando
ao vento

não deixarei tanto.
algo para ler, talvez.

um rebelde na estrada
devastada.

Paris às escuras

26.8.01

Bem, acho que o Mercado Hype tá começando a ter uma cara própria. Um espaço para algumas divagações. Longe do mundo dos negócios... Longe de qualquer lugar. Adorei colocar esse Vaso com Flores, do Silva... É lindo... adoro o Silva. Ele traduz com o pincel toda a loucura enrustida do povo brasileiro.


Pergunte ao Pó - John Fante... Adoro esse livro. Arturo Bandini é o herói que eu adoraria ter criado. Sem caráter... vivendo o conflito de quem não consegue se adaptar ao mundo. Mais sobre o Fante: Aqui

Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel em Bunker Hill, bem lá no centro de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida porque eu tinha que tomar uma decisão sobre o hotel. Ou eu pagava ou caia fora: era isso que a nota dizia. A nota que a proprietária tinha enfiado por baixo da minha porta. Um grande problema, que merecia muita atenção. Resolvi o problema apagando a luz e indo pra cama.

De manhã, acordei, decidi que devia fazer mais exercício físico e comecei na hora. Fiz varias flexões. Depois, escovei os dentes, senti gosto de sangue, vi o vermelho na escova, lembrei das recomendações, e decidi sair pra tomar café.

Fui ao restaurante aonde eu sempre ia, sentei no banco em frente ao balcão e pedi café. O gosto até parecia café, mas não valia o preço. Sentado lá, fumei uns cigarros, li a lista de gols da Liga Americana, escrupulosamente evitei ler a lista dos jogos da Liga Nacional, e notei com satisfação que Joe DiMaggio continuava sendo o orgulho da italianada, porque estava liderando o time no rebate,

Um grande rebatedor, aquele DiMaggio. Sai do restaurante, parei diante de um pegador imaginário, e atirei uma bola de volta por cima da cerca. Daí desci a rua em direção a Angel's Flight (Vôo de Anjo), me perguntando o que e que eu ia fazer aquele dia. Mas não tinha nada a fazer, e assim decidi dar uma banda pela cidade

25.8.01

Vou experimentar. Valeu a idéia, Estraviz. Estou começando tudo outra vez. Novo blog, com novas perspectivas. Falarei do que acredito. Sem tantas conversações. Apenas com a mente aberta, espinha ereta e o coração tranquilo... heheheh