31.1.02
Para mim, não existe diferença fundamental entre "Oriente" e "Ocidente". O budismo "oriental" é muito semelhante ao estoicismo "ocidental", por exemplo. As duas filosofias insistem na importância do instante e na liberdade do espírito compreendida como o domínio de si. Os neoplatônicos fornecem descrições da unidade do ser que vão ao encontro das descrições feitas pelos místicos de todas as grandes religiões universais. Pessoalmente, pratico diariamente meditação segundo uma técnica budista (atenção à respiração e auto-observação do corpo-mente). A tradição judaica da liberdade de interpretação e de questionamento incessante sobre o que é a boa lei também me inspirou muito. Acredito que existe, em cada tradição filosófica, em cada religião, apesar de todas as diferenças, uma espécie de núcleo universal, mas ao mesmo tempo cada uma delas possui algo de único, de original, através do qual enriquece o patrimônio da humanidade. Resta a cada um descobrir sua ou suas "famílias do espírito". - Pierre Levy
Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho,
que a minha inteligência odeia, ou a ação,
que a minha sensibilidade repugna;
ou a ação, para que não nasci,
ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Bernardo Soares
que a minha inteligência odeia, ou a ação,
que a minha sensibilidade repugna;
ou a ação, para que não nasci,
ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Bernardo Soares
patrocínio: nadifundio
Tem blogueiro qua não entende nada. Ficam mandando SPAM para serem conhecidos. Estratégia errada. Tenho certeza que a maioria das pessoas que desenvolvem algum projeto na rede não aguenta mais email "oi... visitei teu blog... adorei... visite o meu...", ou nos comentários: "visite o meu blog... pessoal", ou pelo ICQ... enviando a URL...
Acessa quem quer. Eu não visito alguém que faz SPAM.... Elvis disse: "Nós não podemos seguir juntos com mentes suspeitas."
30.1.02
PENSAMENTOS SOLTOS
As vezes queria que as minhas palavras tivessem asas...
Estamos envoltos numa casca como paredes de uma prisão que é preciso constantemente quebrar para respirar outro ar e sermos livres por dentro...
É difícil ir além dos limites do tempo e do espaço, quebrar as amarras que nos aprisionam nesta ilusão de sermos apenas este corpo e esta mente insana...
O nosso Ser começa para lá de todas as fronteiras a que a nossa existência terrena nos prende e nos consome...
Copy and Paste: Rosa Leonor
O Mercado Hype foi citado pela Folha. Como não sou assinante não pude acessar. Encontrei o site do Marcelo Cabral que fez um copy e paste. Legal... a informação é pública.
Encontrei!!!
Mercado Hype - "quem não pensa pasta na grama da desinformação":
http://mercadohype.blogspot.com/
Gosh!!! que frase é essa?????. Será que alguém vai atribuir esta besteira pra mim??? Quem pasta é burro, cavalo, vaca... ruminantes e monogástricos. Ainda bem que meus leitores (sic) são pessoas que pensam. Muitas vezes mais do que o necessário. Criando um vazio existencial. Foi nesse vácuo, no éter mítico, que meus pensamentos se transformaram. Penso, logo existo. Ou como diz Nietzche: Existo, logo penso.
29.1.02
Gibi tem poesia, mas poemas
dificilmente cabem nos quadrinhos,
debaixo dos balões, como os anjinhos
que, dentro das auréolas, põem morfemas.
No "Fim", super-heróis vencem. Não temas!
"Enquanto isso..." os monstros mais mesquinhos
estupram as mocinhas dos mocinhos
e tratam [...] de outros temas.
Hergé, Disney, Pichard, Crumb e Crepax;
Doré, Goya, Debret e Percy Lau...
Gauleses versus Lex: Romana Pax.
Pantera, Pernalonga, Pica-pau;
Medusas, Minotauros e outros craques...
Mais dia, menos dia, vence o mau.
Glauco Mattoso
dificilmente cabem nos quadrinhos,
debaixo dos balões, como os anjinhos
que, dentro das auréolas, põem morfemas.
No "Fim", super-heróis vencem. Não temas!
"Enquanto isso..." os monstros mais mesquinhos
estupram as mocinhas dos mocinhos
e tratam [...] de outros temas.
Hergé, Disney, Pichard, Crumb e Crepax;
Doré, Goya, Debret e Percy Lau...
Gauleses versus Lex: Romana Pax.
Pantera, Pernalonga, Pica-pau;
Medusas, Minotauros e outros craques...
Mais dia, menos dia, vence o mau.
Glauco Mattoso
com:
Fabio Assunção
Christine Fernandes
Carlos Gregório
direção
Mauro Farias
produção executiva
Tiza Lobo
Silvia Fraiha
roteiro e adaptação
Melanie Dimantas
fotografia
José Guerra
direção de arte
Paulo Flaksman
cenografia
Ana Schlee
figurino
Maria Diaz
música
Berna Ceppas
Alexandre Kasin
Harold Emert
Mauro Lima
montagem
Tuco
abertura e efeitos especiais
Toni Cid Guimarães
um conto de
Paulo Emílio Salles Gomes
Stuck on my novel and wasting time
I drove up Beachwood Canyon in the hills
today
under the
H o l l y w o o d
sign
and felt
again
how it must have been seventy years ago for my old man and Nat West and Fenton and Bill Faulkner
and that pack of over-paid, restless,
and
disenfranchised script doctor movie hacks
Looking down through the soot I said out loud,
"You wanted this?"
A
spanish mansion on this hill - and fame
and hearing people whisper your name when you entered Musso's bar
and
blowjobs from not-quite actresses after the card game and too many drinks at the garden of Allah
Then
I reminded myself
that what he really left
behind
carelessly, unintentionally
in these greedy hills
could never have been bought or sold
John Fante's gift to me
was
his
pure writer's heart
© 1983-2000 by Dan Fante
28.1.02
We die.
You will never hear those words spoken in a television ad. Yet this central fact of human existence colors our world and how we perceive ourselves within it.
"Life is too short," we say, and it is. Too short for office politics, for busywork and pointless paper chases, for jumping through hoops and covering our asses, for trying to please, to not offend, for constantly struggling to achieve some ever-receding definition of success. Too short as well for worrying whether we bought the right suit, the right breakfast cereal, the right laptop computer, the right brand of underarm deodorant.
Life is too short because we die. Alone with ourselves, we sometimes stop to wonder what's important, really. Our kids, our friends, our lovers, our losses?
Internet Apocalypso - Christopher Locke
Tudo o que sabemos é uma impressão nossa,
e tudo que somos é uma impressão alheia.
Fernando Pessoa
e tudo que somos é uma impressão alheia.
Fernando Pessoa
Copyleft: nadifundio
26.1.02
Three Studies for a Self-Portrait, 1973
Francis Bacon
Francis Bacon
"I've never known why my paintings are known as horrible. I'm always labelled with horror, but I never think about horror. Pleasure is such a diverse thing. And horror is too. Can you call the famous Isenheim alter a horror piece? Its one of the greatest paintings of the Crucifixion, with the body studded with thorns like nails, but oddly enough the form is so grand it takes away from the horror. But that is the horror in the sense that it is so vitalising; isn't that how people came out of the great tragedies? People came out as though purged into happiness, into a fuller reality of existence". - Francis Bacon
witty & quaint
Dorothy Parker
Cherry White
I never see that prettiest thing-
A cherry bough gone white with Spring-
But what I think, "How gay 'twould be
To hang me from a flowering tree."
News Item
Men seldom make passes
At girls who wear glasses.
Sanctuary
My land is bare of chattering folk;
The clouds are low along the ridges,
And sweet's the air with curly smoke
From all my burning bridges.
Autobiography
Oh, both my shoes are shiny new,
And pristine is my hat;
My dress is 1922....
My life is all like that.
Experience
Some men break your heart in two,
Some men fawn and flatter,
Some men never look at you;
And that cleans up the matter.
Frustration
If I had a shiny gun,
I could have a world of fun
Speeding bullets through the brains
Of the folk who give me pains;
Or had I some poison gas,
I could make the moments pass
Bumping off a number of
People whom I do not love.
But I have no lethal weapon-
Thus does Fate our pleasure step on!
So they still are quick and well
Who should be, by rights, in hell.
Dorothy Parker
Cherry White
I never see that prettiest thing-
A cherry bough gone white with Spring-
But what I think, "How gay 'twould be
To hang me from a flowering tree."
News Item
Men seldom make passes
At girls who wear glasses.
Sanctuary
My land is bare of chattering folk;
The clouds are low along the ridges,
And sweet's the air with curly smoke
From all my burning bridges.
Autobiography
Oh, both my shoes are shiny new,
And pristine is my hat;
My dress is 1922....
My life is all like that.
Experience
Some men break your heart in two,
Some men fawn and flatter,
Some men never look at you;
And that cleans up the matter.
Frustration
If I had a shiny gun,
I could have a world of fun
Speeding bullets through the brains
Of the folk who give me pains;
Or had I some poison gas,
I could make the moments pass
Bumping off a number of
People whom I do not love.
But I have no lethal weapon-
Thus does Fate our pleasure step on!
So they still are quick and well
Who should be, by rights, in hell.
Copyleft by SubRosa from Fer Guimaraes Rosa
25.1.02
24.1.02
Lo spirito del Rinascimento che ripropone la visione dell'uomo che realizza se stesso nelle vicende terrene, permette (come avviene in Leonardo e in altri pittori dell'epoca) di ritrovare il senso di una natura e di una realtà terrena non più subordinata ad un Aldilà inconoscibile, ma pienamente autonoma.
tradução possível: O espírito do Renascimento que situa a visão do homem que se realiza no campo terreno, permite (como é evidente em Leonardo e em outros pintores da época) a redescoberta da essência e da realidade terrena não mais subordinada a uma desconhecida existência futura, mas plenamente autonoma.
Orlando Furioso - Ariosto
"todos os cérebros do mundo são impotentes face a qualquer tipo de estupidez que esteja na moda"
Jean de la Fontaine
Jean de la Fontaine
23.1.02
In a pine tree,
A few yards from my window sill
A brilliant blue jay is springing up and down, up and down,
On a branch.
I laugh, as I see him abandon himself
To entire delight, for he knows as well as I do
That the branch will not break.
James Wright
A few yards from my window sill
A brilliant blue jay is springing up and down, up and down,
On a branch.
I laugh, as I see him abandon himself
To entire delight, for he knows as well as I do
That the branch will not break.
James Wright
| The importance of the weblog phenomenon isn't so much that it enables people to publish their breakfast menus or even their genuine insights. It's that we now know what our "avatars" on the Net are going to be: not graphical cartoon representations but our body of writing. You are what you write. On the Web we are writing ourselves into existence. This introduces into the self the same issues of control, inspiration, invention, deception and play as have always been present in the relationship of authors to what they write.
David Weinberger |
De um lado é preciso suportar a extensão do caminho,
pois a cada momento é necessário.
De outro, é preciso parar em cada momento e demorar-se nele,
pois cada qual é em si mesmo uma figura, uma totalidade individual.
Fenomenologia do espírito
G. Hegel
pois a cada momento é necessário.
De outro, é preciso parar em cada momento e demorar-se nele,
pois cada qual é em si mesmo uma figura, uma totalidade individual.
Fenomenologia do espírito
G. Hegel
As condições de um pássaro solitário são cinco:
Primeiro: que ele voe ao ponto mais alto;
Segundo: que não anseie por companhia, nem a de sua própria espécie;
Terceiro, que dirija seu bico para os céus;
Quarto: Que não tenha uma cor definida;
Quinto: Que tenha um canto muito muito suve.
Dichos de Luz y Amor
San Juan de la Cruz.
Dois presentes da sub_rosa - Dois textos, que mais que dois trechos, são absolutos em sua inteireza. São dialéticos ambos em si e entre si.
22.1.02
Apenas um pensamento digital
Ame enquanto puder amar. Este é o ponto de partida. No palco da vida morremos no final. Rico ou pobre. Famoso ou desconhecido. Tanto faz. Viramos pó. Alimento de insetos.
Mas enquanto vivemos temos tantas coisas mais interessantes para fazer. Para que pensar no fim. Melhor ver rios e lagos. Flores desabrochando na primavera. O sol de verão. A lua minguante. O brilho das estrelas no céu poluído por fumaça. Carros rodando pelas estradas. Fome, miséria e desapego.
Podemos interferir. Não deixar que as mazelas se repetiam no tempo. A evolução exige justiça social. Sem excluir o ser humano da modernidade. Podemos ser altruístas, e pensar nos outros. Principalmente os que estão nascendo e crescendo. A nova geração.
Hegel afirma da exigência inequívoca do reconhecimento por parte da consciência. A partir de então, a filosofia ficou diferente, não pôde mais ignorar o estar-com-os-outros.
Retomando o pensamento original, o nosso mundo é uma sucessão contínua de vidas. Todas muito importantes. Todas vivas. Inclusive a nossa herança. Reproduzimos o DNA e deixamos o legado para a geração vindoura. Mas o que estamos fazendo?
Nossos filhos respiram mais monóxido de carbono. Vivem sob violência. Numa competição cada vez mais acirrada. Não vejo muita esperança. Sem amor não vejo solução. E amor não combina com uma série propósitos escusos. Como podemos ser felizes se temos que separar a emoção da razão?.
Imagine as mudanças. Uma composição de tons mais justos. Colorindo a vida das pessoas comuns. Desafiando o status quo dos poderosos e egoístas. Acredito na valorização do homem. Pois, mente sana significa tornar consciente o que é inconsciente. Assim, o homem tende a uma nova realidade. O tempo é a dádiva da eternidade.
A Web faz a revolução. Silenciosa e rápida. Pessoas da terra: “Uma poderosa conversação global começou. Através da Internet, pessoas estão descobrindo e inventando novas maneiras de compartilhar rapidamente conhecimento relevante. Como um resultado direto, mercados estão ficando mais espertos—e mais espertos que a maioria das empresas.”
A promessa da Web vai além da reverberação da voz humana. Está na autenticação de mecanismos de transformação. O ser humano entende que a sociedade, tal como está, vem degenerando a cada momento. E passa a atuar como protagonista da mutação. Estrela da vida inteira Da vida que poderia Ter sido e não foi. Vamos fazer acontecer... A poesia na vida inteira...
A psicanálise visa uma transformação paulatina de maiores porções do id em recursos do ego, em seu propósito de tornar consciente o que é inconsciente. Assim, a mente poderá vir a encontrar soluções, previamente inacessíveis ao ego imaturo.
O Ego e o Id - Freud
O Ego e o Id - Freud
Hegel afirma inequivocamente a exigência de reconhecimento por parte da consciência. A partir de então, a Filosofia ficou diferente, não pôde mais ignorar o estar-com-os-outros.
Para Heidegger, o primeiro indício da técnica moderna é o aparecimento da ciência matemática da natureza; todavia, não é esta a geradora daquela, apesar de cronologicamente possuir uma anterioridade de dois séculos. Para que isto seja compreendido, é preciso que se marque a distinção entre Historie e Geschichte. Historie é a ciência da história, presa à cronologia e à objetividade na busca de fatos e resultados pretensamente comprovados por documentos. Geschichte é a História do Ser, a destinação que doa e preserva o dom do habitar humano sobre a terra numa constante renovação que nos reserva surpresas que não podem ser previstas nem explicadas através de encadeamentos causais.
Copyleft: Fina Endor
21.1.02
Encontrei a rosa... devolvo pra você... com muito carinho.
Meg... não entendo de onde você tirou a idéia de homogeneização dos blogs. Blogger e similares são apenas ferramentas de atualização de sites. Entendo que o importante é a relevância do conteúdo. E isso depende da criatividade de cada um. Não creio que tudo se transforme em commodities. Muito pelo contrário. Penso que as pessoas comuns estão tendo, e cada vez mais, liberdade de expressão de idéias, sentimentos e trivialidades. Esta voz autêntica catalisa a distribuição do conhecimento, a inteligência e a criatividade. *minha alma arde, porque quero saber*
Engraçado. Você fala da semana de 22. É lógico que ao lembrar da Estrela da (nossa) vida inteira faço uma menção velada à semana de arte moderna. Interessante que a minha proposta tem pinceladas dos idealizadores desta semana. Gosto do bucolismo urbano de Alfredo Volpi, da poesia do Manuel Bandeira, da loucura de Oswald de Andrade, as deformidades de Tarsila. Gosto muito dos artistas de 22.
Não esqueço outras influências contemporâneas. Os livros de John Fante trazem o tom nervoso de Bandini. Embora, nunca consegui criar um personagem de caracter tão passional. Esta influência se completa com Kurt Vonnegut Jr, que extrapola os sentimentos humanos a ponto de romper com a realidade emocional.
Estrela da vida inteira
Da vida que poderia
Ter sido e não foi. Poesia,
Minha vida verdadeira.
Da vida que poderia
Ter sido e não foi. Poesia,
Minha vida verdadeira.
O tempo é a dádiva da eternidade. O que é o tempo? Se NÃO me perguntam eu sei. Se me perguntam eu o ignoro. Nada é importante. Nada é relevante. Tudo passa, tudo sempre passará. Este pensamento imortalizado por Heráclito está no Fragmento 91:
"Não é possível entrar duas vezes no mesmo rio, nem tocar duas vezes numa substância perecível no mesmo estado, porque ela, por ímpeto e rapidez de suas transformações, se dispersa e se reúne de novo, se acerca e se distancia do ser."
E Borges comenta (e eu republico o post):
"... cada vez que recuerdo el fragmento 91 de Heráclito: «No bajarás dos veces al mismo río», admiro su destreza dialéctica, pues la facilidad con que aceptamos el primer sentido (El río es otro) nos impone clandestinamente el segundo (Soy otro) y nos concede la ilusión de haberlo inventado."
Falamos do futuro, do fluxo universal. O rio não está no mesmo lugar e com a mesma forma. A imagem é bastante simples e evidente, designando a matéria fluente das coisas nos faz pensar na transformação incessante.
Tudo se transforma. Nas entrelinhas Kurt Vonnegut deixa a expressão: Ame enquanto for possível amar.
"Para cada música um iluminado. Cada dança uma exaltação. Cada festa, um solstício. Para que todos os links caóticos comprovem o único. E que a energia universal alimente e despegue. Que as sinapses fortaleçam as cordas. Que as preces sejam música. Que as pedras sejam deuses, as árvores anjos, os prédios belos e os quadros brancos."
18.1.02
“O Torso Arcaico de Apolo”
Rainer Maria Rilke
“Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas, porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fora.
Seus limites não transporia desmedida
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.”
Rainer Maria Rilke
“Não sabemos como era a cabeça, que falta,
De pupilas amadurecidas, porém
O torso arde ainda como um candelabro e tem,
Só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
E brilha. Se não fosse assim, a curva rara
Do peito não deslumbraria, nem achar
Caminho poderia um sorriso e baixar
Da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
Pedra, um desfigurado mármore, e nem já
Resplandecera mais como pele de fora.
Seus limites não transporia desmedida
Como uma estrela; pois ali ponto não há
Que não te mire. Força é mudares de vida.”
Copyleft: Fina Endor
“... o enigma que a arte em si mesma é. Longe de nós a pretensão de resolver tal enigma. A tarefa consiste em ver o enigma.”
Heidegger
Heidegger
“...a muito falada experiência estética não pode contornar o caráter coisal da obra. Há pedra no monumento. Há madeira na escultura talhada. Há cor no quadro. Há som na obra falada. Há sonoridade na obra musical. O caráter de coisa está já tão incontornavelmente na obra de arte, que deveríamos até antes dizer ao contrário: o monumento está na pedra. A escultura está na madeira. O quadro está na cor. A obra da palavra está no som da voz. A obra musical está no som. Evidentemente dir-se-á. É certo. Mas o que é este óbvio caráter de coisa na obra de arte?” - HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte
Copyleft: Fina Endor
Insight
“Oh, I’m an art critic,” says one, offhand, fully expecting you to be impressed. And, being a nice person, you are. Then in rapid succession, you meet a literary critic, a music critic, a media critic and a culture critic – the last one laughing, “Cult crit, you know?” and you laugh along, agreeing ha-ha that’s funny, but wondering precisely why. Then you meet me. “I’m a business critic,” I say. And you say: “Excuse me? A what?”
Christopher Locke
“Oh, I’m an art critic,” says one, offhand, fully expecting you to be impressed. And, being a nice person, you are. Then in rapid succession, you meet a literary critic, a music critic, a media critic and a culture critic – the last one laughing, “Cult crit, you know?” and you laugh along, agreeing ha-ha that’s funny, but wondering precisely why. Then you meet me. “I’m a business critic,” I say. And you say: “Excuse me? A what?”
Christopher Locke
"Não parece haver resistência alguma à noção de que a crítica só tem razão de ser se proporcionar um juízo de valor sobre a conveniência ou relevância social da “postura” pessoal do artista, ou ainda sobre os efeitos de sua obra no comportamento e nos costumes. Artistas e público esperam do crítico endosso e encorajamento irrestritos ou veneno e escárnio. Permite-se que vista a toga de juiz do bem e do mal e aguarda-se a sentença sobre a validade do “conteúdo” da obra e o merecimento do artista. O que está em jogo é sempre a recompensa pessoal, o aval paternalista ao artista e, quem sabe, à sua obra, travestida de “mensagem”. A crítica dita positiva nunca é considerada frustrante mesmo que passe ao largo da análise. O elogio é satisfatório mesmo que nada entenda dos mecanismos geradores da obra, mesmo que apenas a enquadre e classifique segundo um padrão qualquer.
No Brasil não há crítica de arte, só de artistas. Não há análise, desmontagem e apreciação reveladora de obras, só “sacação” de significados muitas vezes envolta na enganosa roupagem do exibicionismo enciclopédico, dos dados biográficos. A breve história do indivíduo é sempre posta acima da longa história da linguagem. Os soluços, acima das soluções." - mais aqui
“O homem que realmente sabe pode revelar tudo o
que há a transmitir em pouquíssimas palavras.”
Ezra Pound
que há a transmitir em pouquíssimas palavras.”
Ezra Pound
17.1.02
Descobri que minha arma é
O que a memória guarda dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere no coração
Nada de novo existe neste planeta
Que não se fale aqui na mesa do bar...
Milton Nascimento e Fernando Brant
O que a memória guarda dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere no coração
Nada de novo existe neste planeta
Que não se fale aqui na mesa do bar...
Milton Nascimento e Fernando Brant
16.1.02
"... cada vez que recuerdo el fragmento 91 de Heráclito: «No bajarás dos veces al mismo río», admiro su destreza dialéctica, pues la facilidad con que aceptamos el primer sentido (El río es otro) nos impone clandestinamente el segundo (Soy otro) y nos concede la ilusión de haberlo inventado." - - Jorge Luis Borges, Nueva refutación del tiempo
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Frejat/Cazuza
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Frejat/Cazuza
Estou com a cabeça vazia. A síndrome da página em branco. Coisas de Mallarmé, né Meg. Eu também gostei do post mosca. O desespero de transformar o nada em alguma coisa. Jogar palavras desconexas para formar um sentido, que muitas vezes são incompreensíveis. Pensar, pensar e pensar.
Mas hoje estou mais Rita Lee. Encontrar os cogumelos de zebu nos pastos verdes. Esperança. Relax. Viagem alucinada para outra dimensão. Revisitar a vida. Reencontrar os nossos medos. Através de imagens avassaladoras. Serpentes, repteis e ratos. Passeando pelas alamedas tortuosas da mente vazia. Tédio e aventura se fundem num movimento pela vida sadia. Medo e delírio.
A promessa de um aconchego. Deitar no colo da mulher amada. A sutileza de um carinho. O sorriso infantil. Crianças aguardando o momento de brincar. Felicidade. No meio do desespero cotidiano, o amor é a solução ou, pelo menos, o veiculo de transformação da sociedade. É bom amar. Tão bom quanto ser amado.
ANDO JURURU
Rita Lee
E pensar que eu passei todo esse tempo,
investindo no meu "know how"
E pensar que eu quase me danei
apostando no meu "background"
Ando jururu
I know not what to do
Quero encontrar pelo caminho,
um cogumelo de zebu.
E descansar os meus olhos no pasto,
descarregar esse mundo das costas,
Eu só quero fazer parte do "backing vocals" e cantar o tempo todo
Chubidudaudau, Chubidudaudau
Chubidudau... dau, Chubidudaudau
Chubidudau!
Rita Lee
E pensar que eu passei todo esse tempo,
investindo no meu "know how"
E pensar que eu quase me danei
apostando no meu "background"
Ando jururu
I know not what to do
Quero encontrar pelo caminho,
um cogumelo de zebu.
E descansar os meus olhos no pasto,
descarregar esse mundo das costas,
Eu só quero fazer parte do "backing vocals" e cantar o tempo todo
Chubidudaudau, Chubidudaudau
Chubidudau... dau, Chubidudaudau
Chubidudau!
15.1.02
A onda
Manoel Bandeira
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
Manoel Bandeira
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
Quero a estrela da vida inteira: "A posição entre uma natureza apaixonada que aspirava a plenitude, e o exílio em que a doença o obrigara a viver, marcaram profundamente a sua sensibilidade, traduzindo-se, no plano estrutural, pelo gosto das antíteses, dos paradoxos, nos contrastes violentos; no plano emocional, por um movimento polar, uma oscilação constante que, no decorrer da obra, vai alternar a atitude de serenidade melancólica e o sentimento de revolta impotente".
Tive que formatar o HD. Não existe uma tarefa tão cansativa. Fico numa tensão enorme, pois sempre acabo deixando alguma rabicho. E nem sempre a lógica do computador acompanha a instalação e desinstalação de programas.
Resumo: Perdi mais do que um dia refazendo meus arquivos. E ainda não acabei de reproduzir novamente a minha vida digital.
Sou inimigo do Rei - O Inimigo do Rei é uma e-zine do Eduardo Mesquita. Recebi e gostei... ele escreve:
"Cansado de mazelas e reclamações, de saco cheio de inatividade e covardia. Feito inimigo pelo furacão, pela onda, pelo vento seco, com ódio nos olhos e sangue na boca. O inimigo que respeita e teme, mas que ainda assim quer destruir. Tenho fúria e folia no sorriso."
14.1.02
13.1.02
ECLIPSE
Pink Floyd
All that you touch
All that you see
All that you taste
All that you feel
All that you love
All that you hate
All you distrust
All that you save
All that you give
All that you deal
All that you buy
beg, borrow or steal
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say
All that you eat
and everyone you meet
All that you slight
and everyone you fight
All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon.
Pink Floyd
All that you touch
All that you see
All that you taste
All that you feel
All that you love
All that you hate
All you distrust
All that you save
All that you give
All that you deal
All that you buy
beg, borrow or steal
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say
All that you eat
and everyone you meet
All that you slight
and everyone you fight
All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon.
12.1.02
Por que tudo é tão difícil? Vida besta! Não me deixa feliz. Sair pelas ruas, sentar na sarjeta. E apenas contemplar o pôr do sol. Na cidade não vejo o horizonte. A luz do sol vem refletida nas vidraças espelhadas dos edificios. O som da cidade me cansa. Britadeiras, carros, o pastor declamando o evangelho. A alma que desliza sobre o éter dum instante é feliz e expande-se na harmonia.
O inimigo mora ao lado. Tento fugir dos tentáculos viscosos. Mas ele não sai do meu pé. Quer atrapalhar a minha vida transmutando a realidade num pervertido jogo. Não quero continuar brincando de pega pega. Vou arrumar as malas e fugir desse inferno urbano. Deixar a cidade violentada de ódio. Seria bom... seria muito bom. Mas não passa de ficção. Penso: A alma que desliza sobre o éter dum instante é feliz e não interroga a vida.
11.1.02
"Somos céus atravessados por nuvens de energias vindas da profundidade dos tempos. Quanto mais acreditamos que somos alguém, mais somos ninguém. Quanto mais sabemos que não somos ninguém, mais somos alguém"
Pierre Lévy
Pierre Lévy
GO BACK (Sérgio Britto &Torquato Neto) Você me chama Eu quero ir pro cinema você reclama meu coração não contenta você me ama mas de repente a madrugada mudou e certamente aquele trem já passou e se passou passou daqui pra melhor foi só quero saber do que pode dar certo não tenho tempo a perder. |
10.1.02
"El amor eterno lo puede proclamar tan sólo
Aquél a quien él, espontáneo, concede la fuerza poética
Pues el [amor] que siempre procrea y destruye,
Escribió, desde la eternidad, la poesía del universo"
Schelling
Aquél a quien él, espontáneo, concede la fuerza poética
Pues el [amor] que siempre procrea y destruye,
Escribió, desde la eternidad, la poesía del universo"
Schelling
Verdade, Mentira
Alberto Caeiro
Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
Alberto Caeiro
Verdade, mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
lamento
Não deveria reclamar
mas gosto,
é o sussurro interno
Apaziguador das dores.
É a transferência projetiva
Falamos de outros mundos
para não transparecer
o nosso próprio equívoco.
Tudo bem! Eu sei ...
não vou mais me queixar
mostrar meu coração vazio
torturado e infeliz
Ficarei calado
ouvindo palavras recontadas
dispersas e difusas
vou só escutar o lamento
Não deveria reclamar
mas gosto,
é o sussurro interno
Apaziguador das dores.
É a transferência projetiva
Falamos de outros mundos
para não transparecer
o nosso próprio equívoco.
Tudo bem! Eu sei ...
não vou mais me queixar
mostrar meu coração vazio
torturado e infeliz
Ficarei calado
ouvindo palavras recontadas
dispersas e difusas
vou só escutar o lamento
9.1.02
"É possível reconhecer a utilidade de uma idéia sem, contudo, compreender com usá-la adequadamente."
Johann W. Goethe
Johann W. Goethe
"A vida é algo muito importante pra ser levado tão a sério."
Oscar Wilde
Oscar Wilde
Estive pensando sobre o funcionamento mental. A Evelyn está sempre me ensinando algo sobre Freud. Ontem, conversando sobre angústia, criatividade e depressão. Tive um insight que me parece importante para o que ando escrevendo, falando e reverberando.
“Freud foi um homem de laboratório, antes de tornar-se psiquiatra e se especializar no estudo dos fenômenos psicológicos, ele era médico, queria tratar, a sua finalidade era curar as doenças mentais que a terapêutica habitual não tinha efeito Quem sofre com medos, sofrimento moral, inquietações e todas as perturbações funcionais com um ponto de partida psicológico, ouvem dizer: "Isso não é nada...É uma questão de nervos". Todo ser humano tem a capacidade de se proteger contra os incidentes de saúde, e percebe que suas impotências afetivas e psíquicas o colocam em perigo de perder o seu equilíbrio mental.”
A angústia move, essa é sua função. As frustrações são inevitáveis na vida, a não ser que estejamos loucos ou totalmente cindidos com a realidade, somos todos angustiados em viver. Seja no trabalho, nas relações familiares, na rua, na fazenda. Há uma dose na vida. Quando essa quantidade ultrapassa os limites que a mente é capaz de suportar, aparecem as patologias, como a depressão. Muitas vezes capaz de nos levar ao fundo do poço.
Mas o que fazer com a angústia? Muitos não aguentam e fogem. Querendo se livrar da dor perdem a oportunidade de transformá-la em algo produtivo. O homem deprimido produz mal, não consegue pensar, desperdiça as lamurias, e vive paralisado. Extrapolando para o cotidiano, esse cara não se move. Não evolui. Deixa que a depressão corrompa e oprima suas vontades.
Outros transformam esta angústia em criatividade. Conseguem conviver com a dor. Através da falta, pensam, elaboram com os desmandos da vida. E traduzem toda essa carga emocional em algo evolucionário. A angústia vira arte. É do coração do artista que surge a diversidade do conhecimento.
O segredo está na transformação. Saber o que fazer com a dor é importante. E levar a vida tão a sério, conservando dogmas com objetivo de auto proteção não é nada saudável. Faça análise quando sentir que tua cabeça te remete a um ponto de fuga, quando sofrer significar uma forma de estar no mundo. Onde a perspectiva da vida é apenas repetir os desejos dos teus pais. Aprenda fazendo arte. Crie, mude, transforme, descontextualize os sentimentos, destrua os dogmas impostos. "O pouco que eu sei, devo a minha ignorância". That´s evolution. That´s happiness.
8.1.02
"finitude do tempo só se tornava plenamente visível, quando o tempo sem fim se explicitava, por contraposição à finitude"
Heidegger
"ninguna de las eternidades que planearon los hombres (...) es una agregación mecánica del pasado, del presente y del porvenir. Es una cosa más sencilla y más mágica: es la simultaneidad de esos tiempos"
Borges
Heidegger
"ninguna de las eternidades que planearon los hombres (...) es una agregación mecánica del pasado, del presente y del porvenir. Es una cosa más sencilla y más mágica: es la simultaneidad de esos tiempos"
Borges
DÉJÀ VU
by David Crosby
If I had ever been here before
I would probably know just what to do
Don't you?
If I had ever been here before on another time around the wheel
I would probably know just how to deal
With all of you.
And I feel
Like I've been here before
Feel
Like I've been here before
And you know
It makes me wonder
What's going on under the ground
Do you know?
Don't you wonder?
What's going on down under you.
We have all been here before
We have all been here before
We have all been here before
We have all been here before
by David Crosby
If I had ever been here before
I would probably know just what to do
Don't you?
If I had ever been here before on another time around the wheel
I would probably know just how to deal
With all of you.
And I feel
Like I've been here before
Feel
Like I've been here before
And you know
It makes me wonder
What's going on under the ground
Do you know?
Don't you wonder?
What's going on down under you.
We have all been here before
We have all been here before
We have all been here before
We have all been here before
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vue deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vue deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Coração - Essa palavra vale por todas as espécies de movimentos e de desejos, mas o que é constante, é que o coração se constitui em objeto de dom - seja ignorado, seja rejeitado. Roland Barthes - Fragmentos de um discurso amoroso
Mais Leminski:
Desencontrários
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
fazer poesias, eu sinto, apenas isso
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
fazer poesias, eu sinto, apenas isso
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
Algo está diferente. A temporada está em baixa. É Janeiro. Mês de férias... viagens. As coisas saem do eixo. Tenho que me aprumar. Lembrei da poesia do Leminski:
DISTRAÍDOS VENCEREMOS
eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
que eu cuido dos meus
eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
que eu cuido dos meus
Essa é a impressão que tenho. Só distraídos, sem pensar na vida é que faz possível a vitória. Ganhamos de nós mesmos. É superação. Totalmente Zen, num discurso relaxe e deixe fluir.
7.1.02
A Fina Endor deu uma pitada de inteligência aos meus posts:
Hölderlin foi um romântico que ergueu sua obra sob a influência incontornável de Kant, o primeiro a nos lançar no abismo da condição humana (emblematicamente na Quarta Seção do Capítulo III -- "O Ideal da Razão Pura" -- da Dialética Transcendental da Crítica da Razão Pura. Seção chamada "Da Impossibilidade de uma Prova Ontológica da Existência de Deus"). Os limites por ele apontados mostram as grades em volta de nosso entendimento e das categorias que o constituem. Isto já filtrado pela intuição, as noções de tempo e espaço.
Quando pensamos, somos mendigos porque estamos aprisionados na indigência fenomênica que nunca nos franqueia o acesso à tal coisa-em-si. Uma espécie de revelação cega da cápsula que nos encobre.
Mas há a imaginação. As três idéias da razão:
1. o mundo como totalidade dos fenômenos,
2. a imortalidade da alma e
3. a existência de Deus.
Nenhuma delas é factível de prova, digamos, objetiva.
Resumindo (pra não ficar muito chata), quando sonhamos -- imaginamos -- somos deuses porque ilimitados. Comportamos um ponto de fuga da racionalidade que nos faz ser este enigma inconcluso. Deuses desvairados aspirando ao infinito, apesar de todas as evidências nos levarem à direção oposta.
maravilha onírica.
4.1.02
IT'S ONLY ROCK N ROLL (BUT I LIKE IT)
M. Jagger/K. Richards
If I could stick my pen in my heart
And spill it all over the stage
Would it satisfy ya, would it slide on by ya
Would you think the boy is strange? Ain't he strange?
If I could win ya, if I could sing ya
A love song so divine
Would it be enough for your cheating heart
If I broke down and cried? If I cried?
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I know it's only rock 'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it, I like it
I said can't you see that this old boy has been a lonely?
If I could stick a knife in my heart
Suicide right on stage
Would it be enough for your teenage lust
Would it help to ease the pain? Ease your brain?
If I could dig down deep in my heart
Feelings would flood on the page
Would it satisfy ya, would it slide on by ya
Would ya think the boy's insane? He's insane
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it, I like it
I said can't you see that this old boy has been a lonely?
And do ya think that you're the only girl around?
I bet you think that you're the only woman in town
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock 'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it. I like it...
Basta ela gritar a verdade na cara de todos. Ninguém acreditará e todos pensarão que é louca!
Luigi Pirandello
Luigi Pirandello
3.1.02
Feliz Ano Novo
Não quis despedidas do ano passado. Ano complicado. Muita coisa mudou. Deixei ir embora sem saudades, ou qualquer outro sinal de nostalgia. Apenas abri os braços para o novo ano que entra.
Espero um pouco de paz. Uma benção dos céus para uma humanidade recalcada. Um pouco de compreensão, de altruísmo. De liberação de desejos contidos. Desenfreando uma onda de recuperação do tempo perdido. Somos pessoas. E pessoas que querem viver melhor. Acredito que está não é uma visão particular. O sentimento coletivo alcança o êxtase.
Novo ano. A mesma vida. Não sou ingênuo em acreditar que a troca do calendário faz mágica. De repente, tudo será diferente. Nada disso. A mesma ladainha deverá ser combatida.
As coisas são lentas. Apesar de perceber que a Internet encurta o espaço temporal, não dá para vislumbrar grandes mudanças em períodos curtos. A evolução natural necessita muito mais tempo para assimilação de idéias.
Nem tudo está perdido. As mudanças acontecem no seu próprio ritmo. Tango nas mentes, samba nos pés e jazz para improvisar o destino comum. It´s only rock´n roll. But I like it.
Não entendo por que gosto de olhar para o futuro. Seria muito mais fácil olhar para o passado. É conhecido. E repetir o aprendizado me parece muito mais tranquilo. Mas optei pelo caminho tortuoso. Não tenho outra alternativa. Meu trabalho é expor a realidade Internet. As empresas estão fechadas. É muito difícil para o meio corporativo entender que as mudanças estão acontecendo, mas algumas estão começando a abrir. E perceber que existe luz na transparência.
Pense que os mercados estão florescendo. Ao mesmo tempo, as empresas estão se tornando, cada vez mais, grandes conglomerados. Por um lado vislumbramos a democratização da voz. Por outro, uma seleção natural. Apenas 10 empresas controlam quase a totalidade da comunicação nos EUA. Não é diferente aqui no Brasil.
Mas as coisas estão mudando. A democratização da voz está rompendo o paradigma da comunicação tradicional. E a própria estrutura financeira do capitalismo está baseada nas velhinhas de Miami, fundos de pensão e investidores generalizados. Ou seja, o próprio capitalismo tende a democratizar o “funding” das operações.
Os mercados devem pressionar as corporações devido ao aumento da reverberação das vozes, e através da participação nas ações das empresas. Dessa forma, as corporações serão obrigadas a uma participação mais transparente junto às pessoas comuns.
Bem, não será em 2002 que veremos isso. Imagine o mundo daqui a 50 anos. Pense nos 50 anos passados. Veja as transformações que já aconteceram. Imagine o que está por vir. Agora. Congele a imagem. Retroceda 10, 20, 30, 40 anos. E veja o que teremos nos próximos 10 anos. Não é um exercício muito difícil. E caramba... é rapidinho!
"Realmente, só pelo fato de ser consciente das causas que inspiram minhas ações, estas causas já são objetos transcendentes para minha consciência; elas estão fora. Em vão tentaria apreendê-las. Escapo delas pela minha própria existência. Estou condenado a existir para sempre além da minha essência, além das causas e motivos dos meus atos. Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido exceto a própria liberdade, ou, se voce preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres."
O Ser e o Nada
Jean-Paul Sartre
O Ser e o Nada
Jean-Paul Sartre
2.1.02
Continental philosophers such as Martin Heidegger say that we can't understand our experience of the world without seeing that the present is imbued with a sense of future possibilities and potentialities. We can't even understand a simple hammer without taking it as something that can be used to accomplish some project; we understand things in terms of their future, potential use to us.
David Weinberger - Links and Horizons








